Mentoria e Curadoria de Projetos de Pesquisa em Educação, Ciência, Tecnologia, Tecnologia Social, Inovação, Projetos Escolares e Formação de Sujeitos.
quinta-feira, janeiro 19, 2012
BORGES E A FÍSICA
"Veja só! Que curioso, pois a única coisa que sei de física aprendi com meu pai, que me ensinou como funciona o barômetro."
Jorge Luis Borges, em conversa com um físico em 9 de julho de 1985, num café em Buenos Aires (Alberto ROJO, Borges e a Mecânica Quântica, Editora Unicamp, 2011).
POESIA E CIÊNCIA
Poesia é ampliação da linguagem:
existe para avançar seus limites
explicar o inexplicável
exprimir o inexprimível
prolongar o alcance das inteligências
abrir janelas do universo extensível
antecipar o avanço das ciências.
Entendemos os amanhãs
lendo a poesia de hoje.
(Urbano Lumière, publicado em http://urbano-lumiere.blogspot.com)
terça-feira, janeiro 10, 2012
AINDA SOBRE A TEORIA DOS HUMORES
O equilíbrio das substâncias constitui-se num dos primeiros procedimentos médicos efetuado por gregos, árabes e brâmanes. Esses primórdios médicos e filosóficos atribuíam a certos sucos ingeridos ou produzidos pelo corpo o poder de provocar emoções. Erasmus Darwin, avô do Charles, aquele da Evolução, tão certo estava da teoria dos humores que inventou uma cadeira giratória a grande velocidade para expulsar dos cérebros deprimidos os maus humores, por centrifugação.
TEMPERAMENTO
A história da palavra "temperamento" tem conotação biológica, mesmo advindo do tempo em que a biologia não existia como a conhecemos hoje. "Temperamento" vem de "tempero", "temperar". Hipócrates, há 2500 anos, declarava que o funcionamento de um organismo se explicava pela mistura, em proporções variáveis, de quatro grandes humores: sangue, linfa, biles amarela e biles negra, um "temperando" o outro. Essa visão foi tão bem sucedida que impediu o avanço de outras concepções sobre o funcionamento da "máquina" humana. Todo fenômeno estranho, todo sofrimento físico ou mental, se explicava por um desequilíbrio dessas quatro substâncias no organismo humano. E concepções parecidas a essa, dos humores, foi usada também para explicação de fenômenos do mundo físico, como a teoria do calórico para explicar trocas de calor entre corpos diferentes, e mesmo a da corrente elétrica, como fluidos circulando no interior dos fios condutores de eletricidade. Não se trata mais de "temperamento" dos objetos, mas de migração conceitual em função do sucesso da teoria dos humores.
(A partir da leitura de: CYRULNIK, Boris. Os Patinhos Feios, Martins Fontes Editora, São Paulo, 2004).
quinta-feira, janeiro 05, 2012
MUDANÇA DE NOME DO BLOG
Caros leitores e seguidores,
Fizemos uma mudança de endereço do blog que passa a ser http://ecct-analema.blogspot.com. Ele segue na mesma linha anterior, mas passa a ser gerenciado pela ANALEMA CONSULTORIA LTDA, empresa dedicada à Comunicação em Ciência, Tecnologia e Inovação. Aceitamos contribuições de todos os interlocutores e esperamos continuar tendo um grande número de visitações.
Ass. Paulo Cezar Santos Ventura
segunda-feira, dezembro 05, 2011
sexta-feira, novembro 25, 2011
LICENCIATURAS EM TOCANTINS
Eu estava em ARAGUAÍNA, norte do estado de TOCANTINS, onde participei de uma mesa redonda, dei uma palestra e um minicurso de 8 horas, na IV SEMANA DE CIÊNCIAS NATURAIS e I FEIRA DE CIÊNCIAS DA UFT. O tema do evento foi, Sociedade, Educação e Meio Ambiente. O Campus Araguaína da Universidade Federal de Tocantins tem cursos de Medicina Veterinária, Zootecnia (graduação, mestrado e doutorado), Letras, Licenciaturas em Física, Química, Biologia, Biologia EAD, Matemática, História e Geografia. Salas cheias. Alguns alunos viajam até 100km todos os dias para assistirem aulas. E com bons professores, muitos com doutorado e vários mestres. Alguns destes cursos são novos, nem formaram a primeira turma. Tudo isso vai fazer uma diferença enorme na educação do estado de Tocantins, inclusive aqui nesse canto da Amazônia legal. E o Estado de Tocantins paga R$3.000,00 de salário aos professores (informação passada por uma professora coordenadora de estágios de alunos da Licenciatura de Biologia e confirmada por uma funcionária da Secretaria de Educação, com as quais conversei sobre a questão).
quarta-feira, novembro 16, 2011
COMENTANDO O ARTIGO DO DIARIO EL PESO
Sobre o artigo "Estranho destino de Nikola Tesla" publicado em Diario el Peso (http://www.diarioelpeso.com), um nota de posicionamento do blog.
Hoje a história da ciência reconhece o papel de Tesla. Mas é preciso reconhecer também a importância de Edson, um visionário. A insistência do Edson com a corrente contínua tinha um lado humanitário pessoal. Ao fazer testes com corrente alternada, seu sócio morreu eletrocutado. Ele perdeu dinheiro, concorrências, inclusive para a empresa do Tesla na iluminação de Chicago, porque não queria colocar pessoas em risco. Esse texto do Diario el Peso é interessante, mas tendencioso nesse quesito.
Hoje a história da ciência reconhece o papel de Tesla. Mas é preciso reconhecer também a importância de Edson, um visionário. A insistência do Edson com a corrente contínua tinha um lado humanitário pessoal. Ao fazer testes com corrente alternada, seu sócio morreu eletrocutado. Ele perdeu dinheiro, concorrências, inclusive para a empresa do Tesla na iluminação de Chicago, porque não queria colocar pessoas em risco. Esse texto do Diario el Peso é interessante, mas tendencioso nesse quesito.
ESTRANHO DESTINO DE NIKOLA TESLA
Para quem gosta de História da Ciência, um interessante texto do Diário El Peso.
http://www.diarioelpeso.com/anteriores/2011/15112011/TRM_251011_ExtranoDestinoNikolaTesla.php
quinta-feira, novembro 10, 2011
7 BILHÕES DE HABITANTES - 2
Existem mais seres vivos habitando o corpo de uma pessoa (bactérias, fungos, etc.) que pessoas habitando o mundo.
7 BILHÕES DE HABITANTES
Para cada ser humano no planeta existem 7 bilhões de insetos. Ou seja, 7 bilhões ao quadrado é o número de insetos no planeta. Durma com esse pesadelo. Esta noite, treus 7 bilhões de insetos, apenas os teus, veem te visitar.
terça-feira, novembro 08, 2011
segunda-feira, novembro 07, 2011
MUSEUS E TÉCNICA
Todo museu é um museu de técnicas, mesmo os
autodenominados museus de ciência?
OU
Ou nossos museus, mesmo os museus de ciência, não passam de museus de memória?
EM QUE PENSAM OS FETOS?
Boris CYRULNIK, Les Nourritures Affectives, Éditions Jacob, Paris, 1993.
Capítulo II – À qoui pensent les foetus? Pág.51.
Tradução: Paulo Cezar Santos Ventura pcventura@gmail.com
Em que pensam os fetos?
"Para se fabricar uma criança, tomar o sêmen masculino, aquecê-lo no doce fogo do ato sexual, sacudir suavemente, depois esperar que o coalho se solidifique no ventre da mulher, onde se aglomeram suas partículas de matéria viva.
Vocês terão certamente observado que esta receita para fabricar uma criança só pode ser pensada em uma cultura onde se fabricam queijos. A fabricação de queijo serve de modelo explicativo à fabricação de crianças. Vocês constatarão que, aplicando ao pé da letra esta receita, vocês poderão efetivamente fabricar uma criança, tanto as teorias são eficazes, mesmo quando elas são falsas.
Cada cultura inventou suas receitas e funcionam todas. Basta constatar o aumento da população mundial. A analogia entre a fabricação de crianças e a fabricação de queijos foi utilizada para dar forma de recito a uma concepção camponesa da concepção de crianças. O pensamento metafórico permite dar, com imagens, a impressão de compreender o fenômeno. Mas para compreender uma causa será preciso outros métodos. Pode-se imaginar, em nosso contexto cultural, o modelo que criará em nós esta agradável impressão de compreender.
A metáfora do leite coalhado não dirá nada a um Marciano que, como cada um o sabe, se alimenta de aço fundido. A fabricação mítica dos pequenos marcianos será mais bem contada em um recito de fusão do aço, suavemente escorrendo dentro de um alto forno para se misturar às secreções de Titane (a mulher de Titan).
Ainda no mesmo capítulo, na página 53...
Desde Hipócrates, a teoria médica explica a geração como o resultado da mistura de semens. A ausência da observação direta deixa livre curso às mais loucas imaginações. “Quando os dois semens tenham sido lançados, o homem não deve imediatamente se separar da mulher para que não entre ar na matriz e não altere os semens”.
Foi preciso esperar o século dezoito para que alguns médicos parteiros tentassem a descrição da anatomia do feto e seus envelopes. Esta observação direta, esta percepção só tornada possível na Renascença, muda a maneira de se representar a gravidez. O fato de se compreender que as duas vidas, da mãe da criança, são ligadas biologicamente, conduz ao nascimento da teoria dos desejos: “Se uma mulher deseja com um furor cego comer coisas contrárias à sua saúde, e se ela não satisfizer o desejo, a criança nascerá marcada por aquilo que ela teria desejado”."
Como podem observar, o texto é uma agradável alegoria em torno da analogias e metáforas e sobre a observação como metodologia de criação de conceitos e concepções.
MUSEUS E PÚBLICO
Os museus alemães receberam mais de cem milhões de visitantes em 2010: um recorde. E quanto mais majestosa a construção de um museu mais público ele recebe. É assim na Pinacoteca Moderna, em Munique, e no Museu Histórico Alemão, de Berlim, reformados e reinaugurados pelo arquiteto I. M. Pei. Além da espetacularização das exposições parece que assistimos também a espetacularização da arquitetura do museu.
CONCORDAM COM O AFORISMO?
"O melhor método para se conhecer a cultura científica em determinada época é estudar as obras literárias e/ou publicações não especializadas que se utilizavam do conhecimento científico ensinado nas universidades naquele período"
Ronaldo R. F.Mourão
domingo, novembro 06, 2011
VIVA AOS RECICLADORES
O Brasil recicla apenas 13% do lixo aqui produzido, enquanto os Estados Unidos reciclam 31% e a Alemanha recicla 48%. Do lixo reciclado no Brasil 98% é coletado pelos catadores de rua e não pelas instituições, como acontece em outros países. Daí a importância, em nosso país, do catador de rua, do reciclador. Um viva a eles.
terça-feira, outubro 25, 2011
Além do Big Bang
O universo mutante de Albert Einstein e suas teorias são referências para a compreensão do universo como conhecemos
por Marcia Bartusiak
Fonte: National Geographic Brasil
Moonrunner Design
Ilustração da teoria da inflação, que descreve como o nosso
universo se expandiu e sugere que o mesmo pode ocorrer em outras partes
Uma
estrela tempestuosa
Em busca da auróra cósmica
O balanço do tempo
Imensidão galática
Um novo tempo
O dia 29 de janeiro de 1931, o principal físico do mundo, Albert
Einstein, e o mais importante astrônomo, Edwin Hubble, acomodaram-se num
elegante automóvel Pierce-Arrow para uma visita ao monte Wilson, no sul
da Califórnia. O chofer os conduziu pela sinuosa estradinha de terra
até as instalações do observatório no topo do monte, 1500 metros acima
de Pasadena. Equipado com o mais poderoso telescópio da época, o
observatório do monte Wilson era o local dos triunfos astronômicos de
Hubble. Em 1924, ele usara o colossal espelho de 100 polegadas do
telescópio para confirmar que nossa galáxia era apenas mais um dos
incontáveis “universos-ilhas” existentes na vastidão do espaço. Cinco
anos depois, após rastrear os movimentos desses discos espiralados,
Hubble e seu assistente, Milton Humason, haviam descoberto algo ainda
mais assombroso: o universo está se expandindo rapidamente, levando para
longe todas as galáxias.Em busca da auróra cósmica
O balanço do tempo
Imensidão galática
Um novo tempo
No topo da montanha, naquele ensolarado dia de janeiro, Einstein, então com 51 anos de idade, ficou encantado com o telescópio. Tal como uma criança diante de um brinquedo novo, ele montou na estrutura metálica que suportava o telescópio e começou a examiná-la diante dos olhares constrangidos de seus anfitriões. Também estava presente a mulher de Einstein, Elsa. Ao saber que o gigantesco refletor era usado para determinar a forma do universo, conta-se que ela teria respondido: “Bem, o meu marido costuma fazer isso no verso de um envelope usado”.
Não se tratava apenas do orgulho normal de uma esposa. Afinal, anos antes de Hubble detectar a expansão do cosmo, Einstein havia proposto uma teoria, a da relatividade geral, que explicava o fenômeno. No estudo do universo, tudo remete a Einstein.
Seja aonde for que as observações dos astrônomos os conduzam, elas estão no interior do território delimitado por Einstein, onde o tempo é relativo, a massa e a energia são intercambiáveis, e o espaço se estica e se retorce. Tais marcas são nítidas na cosmologia, o estudo da história e do destino do universo. A relatividade geral “descreve como o nosso universo surgiu, como se expande e qual será o seu futuro”, diz Alan Dressler, dos Observatórios Carnegie. Início, meio e fim – “tudo está ligado a essa idéia majestosa”.
Na virada do século 20, 30 anos antes do encontro de Einstein e Hubble no monte Wilson, a física estava em polvorosa. Os raios X, os elétrons e a radiatividade haviam acabado de ser descobertos, e os físicos começaram a notar que as confiáveis leis do movimento, que remontavam mais de dois séculos até Isaac Newton, não conseguiam explicar de modo satisfatório como essas novas e estranhas partículas se moviam pelo espaço. Foi preciso um rebelde, um jovem ousado que desprezava as formas tradicionais de aprendizado e tinha uma fé inabalável em sua própria capacidade, para abrir um caminho por esse território novo e desconcertante.
Entre os seus dons estava uma poderosa intuição, quase um sexto sentido para vislumbrar o funcionamento da natureza. Einstein pensava por meio de imagens, como esta, que começou a persegui-lo ainda adolescente: se uma pessoa pudesse se deslocar ao lado de um feixe de luz, o que ela veria? Veria a onda eletromagnética imóvel como uma espécie de geleira? “É improvável que algo assim possa existir!”, recordou-se mais tarde o próprio Einstein do que pensara na época.
Aos poucos ele chegou à convicção de que, uma vez que todas as leis da física continuam válidas tanto no estado de inércia como no de movimento constante, a velocidade da luz também deveria ser constante. Ninguém consegue se deslocar à mesma velocidade de um feixe de luz. Mas, se a velocidade da luz é idêntica para todos os observadores, então outro fator precisa ser abandonado: o tempo e o espaço absolutos. Einstein concluiu daí que o cosmo não segue um relógio universal, ou seja, não dispõe de um quadro de referência comum. O espaço e o tempo são “relativos”, fluem de maneira diferente para cada um de nós conforme o nosso movimento.
A teoria da relatividade restrita, proposta por Einstein há um século, também mostrou que a energia e a massa são dois lados da mesma moeda, para sempre associadas em sua famosa equação E = mc2. (E representa a energia; m, a massa; e c, a velocidade da luz.)
Einstein, porém, não ficou satisfeito com isso. A relatividade restrita era justamente isto – restrita. Ela não era capaz de descrever todos os tipos de movimento, como o dos objetos presos à gravidade, a força de grande escala que dá forma ao universo. Assim, dez anos depois, em 1915, Einstein procurou corrigir isso propondo outra teoria, a da relatividade geral, que completava as leis de Newton ao redefinir a gravidade.
Descobrindo a Expansão do Universo
Descobrindo a Expansão do Universo
26 de outubro de 2011 - Prof. Ioav Waga [IF - UFRJ]
Sobre o autor
ioav@if.ufrj.br
A negligência da comunidadecientífica e os abusos pseudo-científicos (por Daniel Neves Micha)
Caros colegas físicos
do Brasil,
Vimos presenciando na mídia de massa uma banalização dos assuntos relacionados à física e às ciências em geral. Comumente, vemos e ouvimos alguém falar da ligação da física (em especial a quântica) com a medicina (cura quântica), com as religiões, com a espiritualidade, etc. Recentemente, tivemos alguns exemplos frustrantes sendo explorados: o filme "Quem somos nós", que relaciona (erroneamente) diversos conceitos do universo quântico com a física do nosso dia-a-dia; o livro "O segredo", que, de acordo com a autora, "cada um contém uma força magnética dentro de si mais poderosa do que qualquer coisa neste mundo emitida por seus pensamentos" e, com isso, afirma que pode atrair coisas boas; as pulseiras "Power Balance", que promete efeitos bioquânticos para gerar "aperfeiçoamento do equilíbrio, ampliação da força central, aumento do alcance dos movimentos e bem estar total" (retirado do panfleto do produto); dentre outros exemplos que poderia citar. Sei que, hoje, com todo o conhecimento que temos, não conseguimos, de fato, refutar todos os argumentos colocados, principalmente pela maioria se tratar de assuntos metafísicos (que, na verdade, não estamos tão interessados em tratar). Mas, sabemos o que não pode ser e podemos ajudar a desmistificar alguns desses absurdos.
Apenas a titulo de informação, uma medida recente tomada pela ANVISA foi proibir a comercialização de 9 nove medicamentos fitoterápicos. Nas bulas e caixas dos remédios deste tipo que ainda não foram comprovados experimentalmente vem um aviso: "PRODUTO EM ESTUDO PARA AVALIAÇÃO CIENTÍFICA DAS INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS E DA TOXIDADE. O USO DESTE PRODUTO ESTÁ BASEADO EM INDICAÇÕES TRADICIONAIS".
A consequência dessas práticas é que o povo, em sua esmagadora maioria, leigo no assunto, compra as idéias (e os produtos gerados dessas) e solidifica esses conceitos na cabeça. Isso é inevitável, uma vez que o ser humano é curioso e ávido por explicações. Daí, quando alguém com formação e experiência comprovadas no assunto tenta dizer o contrário explicando os conceitos da forma correta, já é tarde, pois ninguém mais acredita (vivi e convivi com essas experiências). Nossa sociedade está alheia à natureza à sua volta e à toda a tecnologia que está em seus bolsos e lares.
No meu ponto de vista, a culpa desses desentendimentos não é da sociedade (leiga). A má fé de alguns grupos de empresários que se aproveitam da ignorância para "fazer" dinheiro (às vezes até inconscientemente) contribui para essa alienação, mas acredito que grande parte dessa responsabilidade é dos profissionais que de certa forma detêm esses conhecimentos, ou seja, NÓS.
De que forma será que podemos contribuir para transformar essa realidade? Publicando artigos em revistas de reduzido acesso? Mantendo as informações sobre nossas pesquisas nos grupos de trabalho dos quais fazemos parte? Endosso a importância dessas atividades no meio científico, mas, de alguma maneira, precisamos deixar isso "vazar" de nossos nichos, dar acesso a todos. Como? Procurando e se deixando encontrar nos meios de comunicação vigentes. Mandar cartas aos editores das colunas científicas dos jornais, entrar em contato com jornalistas para dar entrevistas (deu certo com nosso grupo), fazer palestras para qualquer audiência (de qualquer idade) em locais públicos ou de fácil acesso e divulgação, etc. Enfim, correr atrás de retornar para a sociedade tudo aquilo que adquirimos com nosso tempo de experiência é parte de nosso dever.
Vamos lá, façamos nossa parte!
Atenciosamente,
Daniel Neves Micha
Professor do curso de licenciatura em física do CEFET/RJ Campus Petrópolis
Doutorando em física pela UFRJ
Integrante do INCT de Nanodispositivos Semicondutores (DISSE)
Vimos presenciando na mídia de massa uma banalização dos assuntos relacionados à física e às ciências em geral. Comumente, vemos e ouvimos alguém falar da ligação da física (em especial a quântica) com a medicina (cura quântica), com as religiões, com a espiritualidade, etc. Recentemente, tivemos alguns exemplos frustrantes sendo explorados: o filme "Quem somos nós", que relaciona (erroneamente) diversos conceitos do universo quântico com a física do nosso dia-a-dia; o livro "O segredo", que, de acordo com a autora, "cada um contém uma força magnética dentro de si mais poderosa do que qualquer coisa neste mundo emitida por seus pensamentos" e, com isso, afirma que pode atrair coisas boas; as pulseiras "Power Balance", que promete efeitos bioquânticos para gerar "aperfeiçoamento do equilíbrio, ampliação da força central, aumento do alcance dos movimentos e bem estar total" (retirado do panfleto do produto); dentre outros exemplos que poderia citar. Sei que, hoje, com todo o conhecimento que temos, não conseguimos, de fato, refutar todos os argumentos colocados, principalmente pela maioria se tratar de assuntos metafísicos (que, na verdade, não estamos tão interessados em tratar). Mas, sabemos o que não pode ser e podemos ajudar a desmistificar alguns desses absurdos.
Apenas a titulo de informação, uma medida recente tomada pela ANVISA foi proibir a comercialização de 9 nove medicamentos fitoterápicos. Nas bulas e caixas dos remédios deste tipo que ainda não foram comprovados experimentalmente vem um aviso: "PRODUTO EM ESTUDO PARA AVALIAÇÃO CIENTÍFICA DAS INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS E DA TOXIDADE. O USO DESTE PRODUTO ESTÁ BASEADO EM INDICAÇÕES TRADICIONAIS".
A consequência dessas práticas é que o povo, em sua esmagadora maioria, leigo no assunto, compra as idéias (e os produtos gerados dessas) e solidifica esses conceitos na cabeça. Isso é inevitável, uma vez que o ser humano é curioso e ávido por explicações. Daí, quando alguém com formação e experiência comprovadas no assunto tenta dizer o contrário explicando os conceitos da forma correta, já é tarde, pois ninguém mais acredita (vivi e convivi com essas experiências). Nossa sociedade está alheia à natureza à sua volta e à toda a tecnologia que está em seus bolsos e lares.
No meu ponto de vista, a culpa desses desentendimentos não é da sociedade (leiga). A má fé de alguns grupos de empresários que se aproveitam da ignorância para "fazer" dinheiro (às vezes até inconscientemente) contribui para essa alienação, mas acredito que grande parte dessa responsabilidade é dos profissionais que de certa forma detêm esses conhecimentos, ou seja, NÓS.
De que forma será que podemos contribuir para transformar essa realidade? Publicando artigos em revistas de reduzido acesso? Mantendo as informações sobre nossas pesquisas nos grupos de trabalho dos quais fazemos parte? Endosso a importância dessas atividades no meio científico, mas, de alguma maneira, precisamos deixar isso "vazar" de nossos nichos, dar acesso a todos. Como? Procurando e se deixando encontrar nos meios de comunicação vigentes. Mandar cartas aos editores das colunas científicas dos jornais, entrar em contato com jornalistas para dar entrevistas (deu certo com nosso grupo), fazer palestras para qualquer audiência (de qualquer idade) em locais públicos ou de fácil acesso e divulgação, etc. Enfim, correr atrás de retornar para a sociedade tudo aquilo que adquirimos com nosso tempo de experiência é parte de nosso dever.
Vamos lá, façamos nossa parte!
Atenciosamente,
Daniel Neves Micha
Professor do curso de licenciatura em física do CEFET/RJ Campus Petrópolis
Doutorando em física pela UFRJ
Integrante do INCT de Nanodispositivos Semicondutores (DISSE)
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